Task Force on Climate Related Financial Disclosure (TCFD)

O TCFD foi criado pelo Financial Stability Board (FSB), que estabeleceu um conjunto de recomendações para que as empresas divulguem suas informações sobre gestão de riscos e oportunidades relacionadas ao clima. A Companhia  adota uma série de medidas para identificar e mitigar os riscos climáticos e explorar as oportunidades relacionadas a quatro elementos: governança, estratégia, gestão de riscos e metas e métricas.

Governança

a. Descreva como o Conselho de Administração supervisiona os riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas.

b. Descreva o papel do Conselho na avaliação e gestão de riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas.

Aspectos de natureza ambiental, social e de governança são tratados como prioridade pela Companhia, tendo contado com membros do Conselho, historicamente envolvidos com a agenda de biodiversidade e clima no Brasil.  As tomadas de decisões e estratégias da Companhia são baseadas no princípio e nos valores do desenvolvimento sustentável e têm registrado ações de longo prazo e resultados genuínos de comprometimento e de estratégia de negócio pautados pela agenda de mudança climática. A Klabin foi a primeira empresa brasileira e do setor, nas Américas, a se comprometer com a Science Based Target Initiative (SBTi) no desenvolvimento de metas de redução de carbono baseadas na ciência global climática.

Pela visão e estratégia da Companhia, o Diretor-geral Cristiano Teixeira foi convidado para participar da COP26 Business Leader, sendo representante da única empresa brasileira no grupo, que reúne lideranças globais para ajudar na preparação para Conferência do Clima, a ser realizada em novembro de 2021.

Comissão de Sustentabilidade

Composta por membros da Diretoria, a Comissão auxilia na análise e na tomada de decisão de diversos temas referentes à sustentabilidade. Entre entre eles estão os riscos socioambientais e climáticos. O grupo tem como função analisar e discutir, com frequência, os riscos que podem interferir na estratégia da Companhia, bem como as medidas adotadas para mitigar riscos e potencializar oportunidades. Além disso, informa e sensibiliza o Conselho de Administração e o Conselho de Assessoramento em Sustentabilidade (Comitê de Sustentabilidade) sobre esses temas.

Comissão de Riscos

Os riscos climáticos estão integrados na gestão de risco da Companhia, que conta com uma Comissão de Riscos composta por Diretores e Gerentes, sendo responsável pelo acompanhamento, avaliação e comunicação dos riscos e respectivos planos de ação, com a Gerência de Riscos e Controles Internos.

Estratégia

a. Descreva os riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas que a organização identificou no curto, médio e longo prazo.

b. Descreva os impactos dos riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas sobre os negócios, a estratégia e o planejamento financeiro da companhia.

c. Descreva a resiliência e estratégia da organização considerando diferentes cenários das mudanças climáticas, incluindo um cenário de 2°C ou menos.

A Klabin gradualmente vem implementado os riscos e as oportunidades no seu planejamento financeiro e estratégico.  Em 2020, um estudo para mapeamento dos riscos e das oportunidades foi conduzido, tendo como produto final a priorização dos riscos que estão incluídos na matriz de gestão de riscos da Companhia, com revisão periódica (trimestral).

Para a identificação dos riscos físicos foram utilizados cenários climáticos futuros, especialmente, os cenários RCP 2.6 e RCP 8.5 – Representative Concentration Pathways que simulam patamares de concentração de carbono na atmosfera ao longo dos anos, o que permite identificar potenciais consequências das alterações climáticas (riscos físicos).

Além disso, cenários como as Nationally determined contributions (NDCs), estudos macroeconômicos e projeções internas de mercado também foram adotados para a identificação dos riscos e das oportunidades do clima relacionados a mercado, regulação e tecnologias, entre outros (riscos de transição).

 Como parte desse estudo, foi realizada a  modelagem do impacto financeiro dos riscos e das oportunidades. A magnitude de impacto e o horizonte de tempo dos riscos foram definidos de acordo com os critérios adotados pela Companhia. Exemplo de parâmetros de horizonte de tempo: curto – em curso, no ano corrente; médio de 2 a 3 anos; e longo a partir de 4 anos.  Seguem abaixo alguns exemplos de riscos e oportunidades priorizados e as medidas adotadas para mitigar esses riscos e explorar as oportunidades.

Riscos físicos

Estresse hídrico

Redução na disponibilidade e qualidade da água em algumas regiões com operação industrial e florestal da Companhia. Com uso de uma ferramenta específica – Aqueduct –  foi possível mapear quais unidades industriais estão em regiões com potencial de estresse hídrico. Além disso, a Companhia desenvolveu estudos próprios relacionados a essa alteração climática e à atividade florestal.

Potenciais impactos:

1. Interferência na produção industrial;

2. Interferência no plantio de mudas de pínus e eucalipto, na região do Paraná.

Horizonte de tempo: curto prazo

Probabilidade: provável

Magnitude de impacto: baixo

Medidas de mitigação:

1. Monitoramento hídrico das regiões com risco de escassez; projetos de redução do consumo da água e aumento do reuso; estudo de alternativas sustentáveis para fornecimento da água; monitoramento da qualidade da água e destinação de efluentes.

 2. Unidade florestal do Paraná: implementação e aumento de áreas com irrigação no plantio de mudas; planejamento florestal integrado à microbacia, o que implica a adoção de melhores práticas de manejo florestal para diminuir os impactos em bacias hidrográficas; e conservação florestal,  garantindo os serviços ecossistêmicos de regulação e qualidade da água e microclima local.

Aumento da temperatura média

Quantidade e frequência de seca intensa, temperatura mínima, temperatura média, evapotranspiração potencial e déficit hídrico são fatores que influenciam no crescimento das florestas plantadas de pínus e eucalipto. Estudos específicos desenvolvidos pela Companhia apontam uma tendência geral de elevação da temperatura na região do Paraná, com índice médio de 0,32°C por década. Assim, aumenta-se a temperatura com baixa mudança no regime de distribuição das chuvas, o que pode implicar aumento da evapotranspiração, ou seja, risco de déficit hídrico.

Potenciais impactos:

Redução da produtividade florestal tanto para pínus quanto para eucalipto.

Horizonte de tempo: longo prazo

Probabilidade: provável

Magnitude de impacto: baixo

Medidas de mitigação:

Investimento em pesquisa florestal com teste de diferentes materiais de pínus e eucalipto, sendo estes mais resistentes, por exemplo, a déficit hídrico ou pragas. A Klabin possui um Departamento de Eficiência Florestal e Ecofisiologia, responsável pelas pesquisas florestais. Esse departamento é encarregado do desenvolvimento de soluções florestais para combater os impactos das mudanças climáticas.

O trabalho envolve diferentes linhas de ação, como a fitossanitária, que considera em suas pesquisas o aumento de pragas e doenças devido às mudanças climáticas e outros fatores. Outro exemplo é a linha de biotecnologia e melhoramento genético, que desenvolve clones de pínus e eucalipto com o objetivo de aumentar a produtividade florestal e também clones mais resistentes às alterações do clima. O desenvolvimento florestal incorpora as mudanças climáticas na tomada de decisões e na pesquisa.

O departamento é responsável ainda pelos Cenários Climáticos. Para isso, trabalha com um modelo de dados relacionados à exposição aos parâmetros climáticos, avaliando o impacto das mudanças nas florestas plantadas, e recomenda as medidas necessárias em caso de efeitos adversos.

Riscos de transição/regulação

Precificação de carbono

Cresce ao redor do mundo a adoção de instrumentos econômicos, como taxa ou cap and trade, para regulação das emissões de carbono, especialmente, dos setores da indústria e geração de energia. No Brasil, o Ministério da Economia, em parceria com Banco Mundial, desenvolveu um estudo técnico para análise de impacto da adoção de tais instrumentos no país – projeto Partnership for Market Readiness (PMR). Assim, considera-se a possibilidade de implementação, no Brasil, de um sistema de cap and trade – mercado regulado de carbono.

Potenciais  impactos:

Duas unidades industriais da Klabin possuem emissões diretas acima de 200 mil tCO2e/ano, o que implica a possibilidade de regulação. Na prática, cada tonelada de carbono equivalente emitida poderá ser precificada por meio da compra de permissão de emissão em mercado (regulado) de carbono, o que pode representar um impacto financeiro.

Horizonte de tempo: médio prazo

Probabilidade: provável

Magnitude de impacto: baixo

Medidas de mitigação:

A Klabin possui uma meta robusta de redução de carbono (baseada na ciência global climática) e um conjunto de tecnologias que serão implementadas no curto e médio prazos de forma a alcançar tal meta de redução.

Quanto maior o investimento da Companhia na redução da emissão de carbono, menor será sua exposição ao custo de uma regulação de precificação de carbono.

Além disso, a Companhia desenvolve estudos de precificação interna para identificar o custo de impacto de uma possível regulação de carbono no país e faz análise econômica e ambiental de tecnologias de baixo carbono, por meio da metodologia de Curva de Custo Marginal de Abatimento. Nas análises adota-se um shadow price de R$ 40.

Oportunidades

Adoção de tecnologias de baixo carbono

Comprometida com uma economia de baixo carbono, a Companhia estuda e implementa tecnologias que possibilitam a redução de emissão além de eficiência de recursos. A inovação, a pesquisa e o desenvolvimento são fundamentais para as estratégias de negócio da Companhia e também para a atuação na agenda de clima.

Estratégia

Para identificação e priorização das tecnologias, a Companhia desenvolveu uma Curva de Custo Marginal de Abatimento (MACC) que possibilita avaliar as tecnologias mais custo-efetivas. A MACC demonstra o custo (em unidades monetárias por tonelada de CO2e) para a implementação de tecnologias de mitigação de emissões de gases do efeito estufa (GEE) e o seu potencial de redução de emissões associado (em tonelada de CO2e).

As tecnologias apresentam um custo marginal negativo por tonelada de carbono evitada (custo evitado) porque trazem eficiência na utilização de recursos, especialmente por permitir a troca de combustível fóssil para renovável, como a biomassa florestal.

Exemplo de tecnologia a ser adotada é a gaseificação de biomassa, sendo a Klabin pioneira na adoção dessa tecnologia  (na unidade industrial Puma), que transforma o resíduo da madeira em gás, evitando o consumo de combustível fóssil nos fornos de cal do processo de produção da celulose.

Impacto:

Horizonte de tempo:  curto e médio prazo

Probabilidade: provável

Magnitude de impacto: médio-alto

Aumento da demanda de mercado

Com o aumento da percepção do consumidor sobre produtos mais sustentáveis e com baixa pegada de carbono, uma tendência de mercado é que os clientes da Companhia priorizem produtos de fonte renovável ao invés de origem fóssil – não apenas pela problemática dos resíduos, mas também pela conscientização sobre a agenda do clima.

Estratégia

Os pesquisadores da área de desenvolvimento de produtos do Centro de Tecnologia atuam em projetos para eliminar, por exemplo, o uso de barreiras de origem fóssil no revestimento de embalagens. Uma das principais frentes de pesquisa da Klabin trata justamente do desenvolvimento de barreiras de origem renovável, que garantem o armazenamento e o transporte de diversos produtos, sem a necessidade de materiais relacionados à extração e ao refino do petróleo.

O trabalho integrado das áreas de Sustentabilidade, Comercial e Desenvolvimento de Produtos explora positivamente a vantagem competitiva de oferecer alternativas de baixo carbono e biodegradáveis ao mercado, que sejam renováveis e recicláveis, atendendo ao movimento crescente voltado para o carbon and water responsible packaging.

Impacto:

Horizonte de tempo:  médio e longo prazo

Probabilidade: provável

Magnitude de impacto: médio-alto

Gestão de risco

a. Descreva os processos utilizados para identificar e avaliar os riscos/oportunidades relacionados às mudanças climáticas.

b. Descreva os processos utilizados pela organização para gerenciar os riscos/oportunidades.

c. Descreva como os processos utilizados para identificar, avaliar e gerenciar os riscos das mudanças climáticas são integrados à gestão geral de riscos da companhia.

Para identificar e mapear os riscos e as oportunidades do clima, a Companhia  desenvolveu estudos específicos considerando cenários climáticos futuros para as regiões em que possui operação, a partir de estudos disponíveis na literatura e do histórico e registros da Klabin com eventos climáticos já vivenciados.

Os riscos identificados foram priorizados de acordo com os critérios e métricas de gestão de risco da Companhia. A ferramenta de análise de criticidade considera tanto aspectos relacionados ao impacto (financeiro, reputacional, meio ambiente e saúde e segurança) quanto de vulnerabilidade (ocorrência, controles internos e perspectiva de ocorrência). Após a identificação e a análise de criticidade, os riscos são avaliados e as tratativas, definidas.

A Comissão de Riscos, composta por Diretores e Gerentes, e a Gerência de Riscos e Controles Internos são responsáveis pelo acompanhamento, avaliação e comunicação dos riscos e respectivos planos de ação. Assim, a análise de riscos climáticos e seus planos de adaptação consideração 100% das operações Klabin.

Metas e métricas

a. Informe as métricas utilizadas pela organização para avaliar os riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas de acordo com sua estratégia e gestão de risco.

b. Informe as emissões de gases de efeito estufa de Escopo 1, Escopo 2, Escopo 3 e os riscos relacionados.

c. Descreva as metas utilizadas pela organização para gerenciar os riscos e as oportunidades relacionados às mudanças climáticas e o desempenho com a relação às metas.

A Klabin possui uma agenda pública de compromissos e metas de curto, médio e longo prazos – Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável (KODS) – que prioriza as necessidades ambientais, sociais e de governança fundamentais para a empresa e para as urgências globais da sociedade e do planeta. Um dos temas materiais considerados na agenda são as mudanças climáticas, cujas metas são integradas à estratégia da Companhia e aos riscos e oportunidades do clima:

Metas de Redução de Carbono Baseadas na Ciência – Science Based Targets initiative (SBTi).

  • Reduzir as emissões de GEE –  escopo 1 e 2:

– em 25% por tonelada de celulose, papel cartão e embalagens até 2025, a partir do ano base 2019.

– em 49% por tonelada de celulose, papel cartão e embalagens até 2035, a partir do ano base 2019.

  • Reduzir a participação de combustíveis fósseis para garantir uma matriz energética, no mínimo, 92% renovável.
  • Atingir a captura líquida de 45 milhões de toneladas de carbono da atmosfera entre 2020 e 2030.
  • Ter 100% de compra de energia certificada proveniente de fonte renovável.
  • Uso da água: reduzir em 20% o consumo específico (por tonelada de produto) das operações industriais.

Entre 2003 e 2020, a Klabin registrou uma redução de 64%* das emissões de Escopo 1 e 2 por tonelada de produto. Sendo que em 2020 a Companhia teve 703.830 tCO2e no Escopo 1,  30.141,95 tCO2e no Escopo 2 e 456.910 tCO2e no Escopo 3. 

* Desde 2020, a Klabin passou a considerar as emissões de escopo 2 a partir da metodologia baseada na escolha de compra.