Ecossistemas e Biodiversidade
Ecossistemas e Biodiversidade
KODS 2030
Conduzir a reintrodução de pelo menos duas espécies que sejam comprovadamente extintas localmente e promover reforço populacional de outras quatro espécies ameaçadas
| 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | Meta 2030 |
| 1 | 1 | 2 | 2 | 6 |
Reintrodução de espécie extinta: Jacutinga (Aburria jacutinga)
Em 2025, foram realizadas campanhas de monitoramento da jacutinga (Aburria jacutinga), com métodos de transecção linear, observação direta, uso de playback, armadilhas fotográficas e ciência cidadã, avaliando sua capacidade de sobrevivência, dispersão e formação de casais reprodutivos. A iniciativa dá continuidade ao trabalho de reintrodução da espécie iniciado em 2022, quando foram soltos 30 indivíduos. Como integrante do grupo técnico de assessoramento do Plano de Manejo Populacional das Jacutingas — uma das ações do Plano de Ação Nacional de Conservação das Aves Galiformes —, a Klabin reflete a premissa de manter uma população de segurança desta espécie sob cuidados humanos, o que possibilitará a continuidade de projetos de reintrodução similares.
A iniciativa de reintrodução da jacutinga (Aburria jacutinga) na região do médio Tibagi foi fundamentada em evidências técnico-científicas amplamente reconhecidas na biologia da conservação. A comprovação da extinção local da espécie baseou-se na convergência de três critérios: (i) histórico de ampla ocorrência seguido por colapso populacional regional, (ii) ausência de registros recentes mesmo em áreas ambientalmente adequadas, e (iii) persistência de pressões antrópicas, como caça e fragmentação florestal. Considerando que a região de Telêmaco Borba apresenta histórico de intensa fragmentação da Mata Atlântica e ausência de registros contemporâneos confiáveis, concluiu-se que a espécie se encontrava funcionalmente extinta localmente antes do início do projeto.
A escolha da jacutinga como espécie-alvo foi orientada por critérios estratégicos de conservação e geração de valor ambiental. A espécie apresenta elevada relevância ecológica como dispersora de sementes, contribuindo diretamente para a regeneração da Mata Atlântica, especialmente por sua interdependência com a palmeira juçara (Euterpe edulis), também ameaçada de extinção. Além disso, sua condição de espécie carismática favorece o engajamento social e o fortalecimento de iniciativas de educação ambiental e parcerias institucionais. A viabilidade técnica de obtenção de indivíduos provenientes de programas de conservação ex situ e seu status de ameaça reforçaram sua priorização dentro da estratégia de refaunação.
Do ponto de vista ecossistêmico, a jacutinga desempenha papel essencial na manutenção do habitat, estando diretamente associada aos serviços ecossistêmicos de suporte, especialmente na dinâmica de regeneração florestal e manutenção da biodiversidade.
A implementação do projeto envolveu uma série de ações estruturadas conduzidas pela Klabin, incluindo a readequação do Parque Ecológico Klabin com a construção de infraestrutura específica para aclimatação e soltura, elaboração e submissão de projeto técnico-científico junto ao órgão ambiental competente, e obtenção das licenças necessárias. Adicionalmente, foram estabelecidas parcerias técnico-científicas com criadouros conservacionistas para a seleção de indivíduos aptos, realização de protocolos sanitários conforme normativas vigentes e condução do processo de aclimatação seguido de soltura branda.
O projeto foi viabilizado por meio de colaboração técnico-científica com parceiros especializados, garantindo a procedência e qualidade dos indivíduos introduzidos, bem como a robustez metodológica da iniciativa.
Em termos de avaliação de sucesso, o projeto atingiu seu objetivo principal ao possibilitar o estabelecimento da espécie em ambiente natural com evidências de reprodução. Inicialmente, em 2024, foi registrado comportamento reprodutivo com postura de ovo, ainda que em condição não ideal, o que é esperado em indivíduos em processo de adaptação. Posteriormente, em 2025, foram confirmados registros de reprodução completa em ambiente natural, com a presença de filhotes acompanhando a fêmea, evidenciando o restabelecimento do ciclo reprodutivo sem intervenção humana. Esse resultado válido a efetividade do processo de reintrodução e abre perspectivas para ações contínuas de reforço populacional até que se atinja um tamanho populacional viável para manutenção da espécie na região.
O investimento total aproximado no projeto foi de R$300.000,00 aplicado em infraestrutura, desenvolvimento técnico, aquisição e manejo dos animais, além de monitoramento e gestão ambiental.
A área destinada ao projeto compreende o Parque Ecológico Klabin, com aproximadamente 9.852 hectares dedicados a iniciativas de conservação, proporcionando condições ambientais adequadas para o estabelecimento e expansão da população reintroduzida.
Projeto de Reabilitação e Soltura do Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea)
O papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) trata-se de uma ave com grande relevância ecológica para a região. Em fevereiro de 2025, foram soltos três indivíduos da espécie, após cumprirem todas as etapas previstas no processo de adaptação. Desde a soltura, os animais têm permanecido nos arredores do Parque Ecológico Klabin.
O projeto conduzido com o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) não se caracteriza como uma iniciativa de reintrodução de espécie extinta localmente, uma vez que a espécie ocorre naturalmente na região e apresenta população considerada relativamente equilibrada em âmbito nacional. Nesse contexto, não foi necessária a comprovação de extinção local como etapa prévia. A iniciativa foi concebida como uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento e validação de protocolos técnicos voltados à reabilitação e reintegração à vida livre de indivíduos oriundos de apreensões por tráfico de fauna, posse ilegal ou nascidos sob cuidados humanos. A estratégia é desenvolver protocolos viáveis de retorno de animais de redes de atendimento a fauna para a vida livre, podendo reforçar as populações existente, garantindo fluxo gênico para regiões onde sua capacidade de suporte foi comprometida pela baixa densidade populacional.
A escolha da espécie foi fundamentada em sua condição de ameaça de extinção aliada à elevada disponibilidade de indivíduos mantidos fora do ambiente natural. Esse cenário evidencia um descompasso entre a necessidade de conservação em vida livre e o número significativo de espécimes sob cuidados humanos, reforçando a relevância de iniciativas que viabilizem o retorno desses animais à natureza. Adicionalmente, trata-se de uma espécie com alto grau de inteligência e capacidade de adaptação ao convívio humano, o que representa um desafio técnico relevante, uma vez que tal característica pode comprometer comportamentos naturais essenciais à sobrevivência em ambiente silvestre.
Do ponto de vista ecológico, o papagaio-de-peito-roxo contribui para a manutenção do habitat, estando diretamente relacionado aos serviços ecossistêmicos de suporte, especialmente no que se refere à dinâmica e preservação de ecossistemas florestais.
A execução do projeto envolveu um conjunto estruturado de ações conduzidas pela Klabin, incluindo a readequação física e técnica do Parque Ecológico Klabin, com construção de estruturas específicas para os processos técnicos, como quarentena, sala de necrópsia, recinto de manutenção e soltura das aves além de aquisição de equipamentos médicos veterinários. Foram elaborados os estudos e documentos técnicos necessários, submetidos aos órgãos ambientais competentes, culminando na obtenção da autorização para soltura. O projeto também contemplou o recebimento de indivíduos encaminhados por órgão ambiental estadual, a realização de protocolos rigorosos de avaliação sanitária e a condução de processos de reabilitação clínica e comportamental. Posteriormente, os animais passaram por aclimatação ao ambiente natural, seguida de soltura branda, estratégia que favorece a adaptação gradual e aumenta as chances de sobrevivência.
A iniciativa foi conduzida integralmente com recursos e estrutura próprios, sem o estabelecimento de parcerias técnico-científicas externas.
Em termos de avaliação de desempenho, o sucesso do projeto foi mensurado através da capacidade que os indivíduos soltos demonstraram em sobreviver em vida livre por um período mínimo de dois anos após a soltura, indicador que reflete a capacidade de adaptação e sobrevivência no ambiente natural.
O investimento total aproximado foi de R$ 700.000,00, direcionado à infraestrutura, manejo, reabilitação e monitoramento dos indivíduos, além das atividades técnicas e operacionais associadas.
A área de execução compreende o Parque Ecológico Klabin, com aproximadamente 9.852 hectares dedicados a projetos de conservação, oferecendo condições ambientais adequadas para suporte às atividades de soltura e monitoramento.
KODS 2030
Ter 100% dos hotspots de atropelamento de fauna mapeados e com iniciativas para redução de acidentes.
| 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | Meta 2030 |
| 21% | 26% | 32% | 38% | 100% |
A meta de 100% dos hotspots de atropelamento de fauna mapeados e com iniciativas para redução de acidentes representa um dos principais mecanismos corporativos de gestão e proteção da biodiversidade na Klabin. Desde 2021 até dezembro de 2025, foram realizadas 46 campanhas de monitoramento nas estradas e rodovias utilizadas pela Klabin.
Em 2025, a Klabin avançou na sistematização do monitoramento de colisões com a fauna silvestre nas vias do Paraná. As principais ações realizadas no último ano, incluem:
Monitoramento acumulativo de 8.000 km amostrais desde o início do projeto;
Encaminhamento de material biológico para pesquisas científicas;
Participação consultiva de projetos viários em estudo, contribuindo com dados técnicos e recomendações de medidas mitigadoras para a gestão pública.
Os primeiros quatro anos de estudos foram fundamentais para compreender os impactos da infraestrutura viária sobre a biodiversidade, especialmente em regiões inseridas em mosaicos florestais. Esses estudos permitiram identificar padrões espaciais e temporais de ocorrência de atropelamentos, fornecendo evidências técnicas para avaliação de riscos à fauna e à conectividade ecológica.
A partir do mapeamento de hotspots, foi possível direcionar os melhores métodos para a priorização de medidas mitigadoras, como instalação de passagens de fauna, cercamentos direcionadores, sinalização específica, redutores de velocidade e adequações no manejo da vegetação lindeira.
Além disso, essas informações vão subsidiar o planejamento e a gestão ambiental pública, contribuindo para a redução de impactos, atendimento a requisitos legais e fortalecimento de compromissos com a conservação da biodiversidade.
KODS 2030
Manter e potencializar o número de espécies de fauna dependentes de florestas de alta qualidade ambiental.
| 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | Meta 2030 | Mínimo | Máximo |
| 77% | 73% | 76% | 75% | Manter ou potencializar até 2030 | 78% | 85% |
Em 2025, o indicador alcançou 75%. O valor representa a proporção de espécies de aves dependentes de florestas de alta qualidade ambiental registradas nas unidades florestais de São Paulo (SP), Santa Catarina (SC) e Paraná (PR).
A Klabin está em processo de reestruturação dos monitoramentos de biodiversidade, com novas abordagens analíticas para entender melhor os fatores que influenciam a presença das espécies e vem avaliando indicadores complementares, que permitirão analisar não apenas presença/ausência, mas também a qualidade ecológica das comunidades.
KODS 2030
Manter pelo menos seis parcerias/pesquisas por ano baseadas em estudos de conservação da natureza e biodiversidade.
| 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | Meta 2030 |
| 12 | 11 | 10 | 14 | Mínimo 6 por ano |
Ao longo de 2025, a Klabin manteve seis parcerias de pesquisa em Santa Catarina e sete no Paraná, sendo elas:
UDESC - Caracterização de óleos essenciais Myrtaceae e utilização no controle de doenças na pós-colheita em maçã 'Fuji';
UDESC – Avaliação de áreas em processo de restauração florestal e em estágio avançado de sucessão em Floresta Ombrófila Mista no estado de Santa Catarina por meio de indicadores ecológicos da Resolução SMA 32/2014 e bioindicadores de fauna (Timbó);
UDESC - Qualidade da água do Rio Caveiras avaliada a partir de Análises físico químicas;
UDESC - Saberes relativos ao tema solos de educadores da educação básica do Planalto Serrano de SC;
UDESC - Qualidade da água do Rio Caveiras avaliada a partir de macroinvertebrados bentônicos;
UDESC - Avaliação do potencial de uso de biossólido em formulações de bioinsumos mistos à base de associação mibrobiana e de substratos para produção de mudas de espécies florestais;
Via fauna – Ecologia de estradas (análise dos hotspots de atropelamento de fauna);
FEPAF – Pesquisa de valoração da biodiversidade e serviços ecossistêmicos;
Neoprim/CPQD/Bioflore – Projeto primatas Monte Alegre - [Estimativa Populacional de Macaco-prego (Sapajus nigritus)];
Instituto Pró Muriqui (UNIFESP) – Serviços de Monitoramento Muriqui-do-sul / Mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides);
FUPEF - Pesquisa e extensão na floresta fóssil de Ortigueira; (Artigo);
HotSpot Ambiental - Reavaliação de áreas de alto valor de conservação;
IPÊ - Conservação da biodiversidade em remanescentes florestais: uma abordagem integrada de conectividade (Dissertação);
UFPR - Convênio de cooperação técnica para treinamento de residentes em medicina veterinária no Parque Ecológico Klabin (Parceria)
KODS 2030
Disponibilizar 1 milhão de mudas de árvores nativas para recuperação de áreas degradadas em áreas de parceiros
| 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | Meta 2030 |
| 234.164 | 549.266 | 640.855 | 676.750 | 1.000.000 |
A distribuição é realizada por meio do plantio e da entrega de mudas pelo Programa Matas Legais e Programa Matas Sociais em propriedades parceiras. Desde 2020, já foram disponibilizadas 676.750 mudas.
Percentual de área florestal destinada à conservação e à manutenção da biodiversidade
| Unidade | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | |
| Total de áreas | Mil hectares | 719 | 751 | 911 | 910 |
| Total de áreas produtivas ¹ | Mil hectares | 356 | 374 | 463 | 462 |
| Total de áreas de florestas conservadas² | Mil hectares | 304 | 315 | 373 | 373 |
| Áreas para outros usos operacionais ³ | Mil hectares | 59 | 62 | 75 | 75 |
| Percentual de áreas de florestas conservadas | % | 42,3 | 41,9 | 40,9 | 41 |
Nota 1: Área produtivas: porção de terra destinada ao cultivo e manejo de florestas plantadas, visando a produção de madeira.
Nota 2: Áreas de florestas conservadas: áreas de florestas destinadas a conservação da biodiversidade e dos recursos ambientais.
Nota 3: Áreas para outros usos operacionais: outros usos da terra, como estradas, divisoras, lagoas, benfeitorias etc.
Unidades operacionais dentro ou nas adjacências de áreas de proteção ambiental e áreas de alto valor de biodiversidade fora de áreas de proteção ambiental
RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN)
A Klabin possui cinco Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), tendo uma delas sido consolidada em 2025.
A RPPN Complexo Serra da Farofa, localizada em Santa Catarina, conta com quase 5 mil hectares de conservação distribuídos em 5 municípios (Urupema, Painel, Rio Rufino, Urubici e Bocaina do Sul). Encontra-se em ambiente nativo com florestas de araucárias e campos de altitude e é destinada a pesquisas científicas, ao manejo de recursos naturais e à manutenção do equilíbrio climático e ecológico.
A RPPN Monte Alegre está dentro da Fazenda Monte Alegre em Telêmaco Borba, no Paraná. Com uma área de quase 4 mil hectares, é um espaço destinado à pesquisa científica, conservação da biodiversidade local e proteção dos recursos hídricos.
A RPPN Barra Mansa, localizada no município de Arapoti, no estado do Paraná, tem área conservada total de 218,05 hectares. Tem como formação característica a Floresta Ombrófila Mista ou Floresta com Araucária e, através de estudos anteriores, grande parte da vegetação amostrada encontra-se em estágio médio e avançado de sucessão, com desenvolvimento satisfatório da vegetação.
A RPPN Vale do Corisco está situada ao longo da escarpa devoniana, cerca de 14 km do perímetro urbano de Sengés, no Paraná. Possui 507,50 ha de área total, dos quais 369,60 ha estão no município de Sengés-PR e 137,90 ha em Itararé-SP. A região apresenta elementos de Floresta Ombrófila Mista Aluvial, Cerrado e Floresta Estacional Semidecidual e abriga a cachoeira do Corisco, considerada como um ponto geoturístico nacional. Em 2023 a área foi certificada para serviços ecossistêmicos pelo FSC, com intuito de atestar que a área avaliada apresenta uma biodiversidade representativa, entre diferentes grupos de vegetais e animais.
A RPPN Samuel Klabin, consolidada em 2025, fica localizada em Imbaú, no Paraná, a reserva possui 168,90 hectares de área formada por Floresta Ombrófila Mista e Estacional Semidecidual. Uma quantidade significativa que reforça a importância da unidade de conservação, que, mesmo relativamente pequena, abriga uma notável diversidade de animais e vegetais.
PARQUE ECOLÓGICO
Criado e mantido pela Klabin desde 1979, o Parque Ecológico Klabin (PEK) localiza-se dentro de uma área com 9.852 hectares, dos quais 91% são compostos por florestas nativas. Inicialmente, este espaço tinha como objetivo “resguardar atributos excepcionais da natureza, conciliando a proteção integral da flora, da fauna, das belezas naturais e dos mananciais”. Admitindo-se dentro da área atividades científicas e educativas, com o passar do tempo o Parque Ecológico foi se aperfeiçoando e aumentando suas linhas de atuação. Atualmente, o objetivo do PEK é promover a conservação da biodiversidade, a manutenção e reabilitação de animais silvestres, a preservação de espécies em extinção, o desenvolvimento de pesquisas científicas e o apoio aos programas de educação ambiental.
O Parque conta um espaço denominado “Circuito da Biodiversidade”, em que 120 animais de 35 espécies diferentes são mantidos em recintos que reproduzem os seus habitats naturais, garantindo uma melhor qualidade de vida para cada indivíduo. Atua ativamente na conservação de espécies através dos seus programas de refaunação, que contribuem para a restauração do equilíbrio ecológico, promovendo o retorno de espécies nativas, fortalecendo a biodiversidade e melhorando os serviços ambientais dos ecossistemas, como manutenção de florestas através da dispersão de sementes e controle natural de pragas.
Também há uma “Trilha Ecológica” em meio à floresta nativa, onde o visitante pode entrar em contato direto com ambiente natural, e o “Centro de Interpretação da Natureza” voltado para a educação ambiental contendo estações interativas e didáticas com temáticas de meio ambiente, sustentabilidade e biodiversidade da região. O espaço ainda conta com um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, áreas de internamento, clínica veterinária, cozinha para o preparo da alimentação dos animais, escritório administrativo e alojamento para pesquisadores.
ÁREA DE ALTO VALOR DE CONSERVAÇÃO (AAVC)
Após um grande trabalho de diagnóstico e consultas sociais, foram constatadas 30 Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVC) na Klabin, que se encontram distribuídas em suas unidades florestais, ocupando uma superfície de quase 25 mil hectares. Destas, 20 áreas são reconhecidas pelos seus atributos ambientais relacionados a diversidade de espécies e conservação ambiental. Esses locais apresentam atributos ligados aos remanescentes florestais, como a presença de espécies da fauna e flora endêmicas ou ameaçadas de extinção, sua significância a nível de paisagem, e a presença de biomas ameaçados.
Unidades operacionais de áreas de proteção ambiental e áreas de alto valor de biodiversidade fora de áreas de proteção ambiental
| Complexo Serra do Farofa (RPPNe) | RPPN Monte Alegre | RPPN Samuel Klabin | RPPN Barra Mansa | RPPN Vale do Corisco | AAVCs | |
| Localização geográfica | Santa Catarina | Paraná | Paraná | Paraná | Paraná e São Paulo | Santa Catarina, Paraná e São Paulo |
| Áreas superficiais e subterrâneas próprias, arrendadas ou administradas pela organização | Superficial própria | Superficial própria | Superficial própria | Superficial própria | Superficial própria | Superficial. Administração própria |
| Posição em relação a área protegida | Adjacente | Na área | Na área | Na área | Na área | Na área |
| Tipo de operação da unidade | Operação extrativa nas áreas de entorno | Operação extrativa nas áreas de entorno | Operação extrativa nas áreas de entorno | Operação extrativa nas áreas de entorno | Operação extrativa nas áreas de entorno | Operação extrativa nas áreas de entorno |
| Tamanho da unidade operacional em km2 | 49,87 km² | 38,52 km² | 1,69 km² | 2,18 km² | 5,07 km² | 247,15 km² |
| Valor para a biodiversidade caracterizado pelo atributo da área protegida ou de alto valor de biodiversidade situada fora da área protegida | Ecossistema terrestre e água doce | Ecossistema terrestre | Ecossistema terrestre | Ecossistema terrestre | Ecossistema terrestre | Ecossistema terrestre. Eventualmente água doce. |
| Valor de biodiversidade caracterizado pela presença em lista de proteção (como do Sistema IUCN de Categorias de Gestão de Áreas de Proteção Ambiental, da Convenção de Ramsar, da legislação nacional) | Legislação nacional - SNUC | Legislação nacional - SNUC | Legislação nacional - SNUC | Legislação nacional - SNUC | Legislação nacional - SNUC | Padrão FSC Brasil |
Espécies com algum grau de ameaça de extinção (CR, EN, VU)
| 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | ||||
| Fauna | Flora | Fauna | Flora | Fauna | Flora | Fauna | Flora |
| 3% | 2% | 3% | 2% | 3% | 2% | 3% | 2% |
Espécies incluídas na lista vermelha da IUCN e em listas nacionais de conservação com habitats em áreas afetadas por operações da organização, discriminadas por nível de risco de extinção
| 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | |||||
| Fauna | Flora | Fauna | Flora | Fauna | Flora | Fauna | Flora | |
| Criticamente ameaçadas de extinção (CR) | 2 | 1 | 2 | 1 | 2 | 1 | 2 | 1 |
| Ameaçadas de extinção (EN) | 6 | 12 | 6 | 12 | 6 | 12 | 5 | 16 |
| Vulneráveis (VU) | 21 | 26 | 21 | 28 | 21 | 28 | 19 | 22 |
| Quase ameaçadas (NT) | 49 | 4 | 39 | 11 | 41 | 13 | 32 | 19 |
| Pouco preocupantes (LC) | 618 | 482 | 733 | 490 | 759 | 570 | 705 | 609 |
| Dados Insuficientes (DD)* | 11 | 10 | ||||||
| Total | 696 | 525 | 801 | 542 | 829 | 624 | 763 | 667 |
*Informação não reportada nos anos anteriores
O monitoramento da biodiversidade ocorre anualmente nas três unidades florestais da Klabin (SP, PR e SC), com o intuito de avaliar a influência das operações sob a conservação ambiental das nossas áreas.
O valor acumulado de espécies identificadas até 2025 foram de 866 espécies de fauna e 2.041 de flora. Dentre estas, 774 espécies de fauna tiveram seu status de conservação reconhecido pela IUCN (categorias CR, EN, VU, NT, LC, DD) sendo 26 delas classificadas como ameaçadas de extinção (nas categorias CR, EN e VU); e 677 espécies de flora com status de conservação reconhecido pela IUCN (categorias CR, EN, VU, NT, LC, DD), sendo 39 classificadas como ameaçadas (categorias CR, EN e VU).
As variações de dados entre anos ocorrem majoritariamente em função de revisões taxonômicas e alterações nos graus de ameaça.
Área de habitats associados a espécies ameaçadas
Área total conservada: 373 mil ha
Área com ocorrência de espécies ameaçadas: >38 mil ha
As áreas conservadas da companhia totalizam aproximadamente 373 mil hectares, que oferecem condições para ocorrência de espécies de fauna e flora, incluindo aquelas classificadas como ameaçadas de extinção. Com base no monitoramento da biodiversidade, espécies ameaçadas são registradas em mais de 38 mil hectares dessas áreas, representando os principais habitats associados às categorias CR, EN e VU.
Serviços ecossistêmicos (SE) são os benefícios diretos e indiretos que os seres humanos obtêm da natureza, como regulação do clima, purificação da água, polinização, controle biológico e produção de recursos naturais, entre outros. Esses serviços sustentam a vida, o bem-estar humano, a produtividade florestal e a própria viabilidade dos negócios.
A biodiversidade representa o capital natural, enquanto os serviços ecossistêmicos correspondem aos benefícios e produtos gerados por esse capital. A diversidade de genes, espécies e ecossistemas é o que permite o funcionamento dos sistemas naturais.
Na Klabin, a biodiversidade é reconhecida como uma parte interessada relevante, sobre a qual a empresa exerce impacto e influência significativos. Por isso, está integrada à política e à estratégia de sustentabilidade da companhia, conforme estabelecido no item 7.14 da Política de Sustentabilidade, que orienta práticas voltadas à conservação da natureza e ao equilíbrio ecossistêmico.
Com base nesse compromisso, a empresa priorizou os 10 serviços ecossistêmicos dos quais é mais dependente e estruturou o Plano de Transição para a Natureza, cujo objetivo principal é alcançar ganho líquido de biodiversidade até 2050, com resultados parciais em 2030 e 2040.
Uma das iniciativas reconhecidas junto ao FSC® é a declaração de serviços ecossistêmicos na RPPN Complexo Serra da Farofa.
Nessa área, são oficialmente reconhecidos os seguintes serviços:
Conservação da Biodiversidade (ES1);
Sequestro e Armazenamento de Carbono (ES2);
Serviços em Bacias Hidrográficas (ES3).
A Klabin foi a primeira empresa brasileira a obter a declaração simultânea desses três serviços ecossistêmicos. Pesquisas científicas na RPPN são mantidas para ampliar o conhecimento sobre os serviços ambientais na área. Além disso, com a aquisição da Arauco, a Klabin passa a incluir em sua gestão a RPPN Vale do Corisco, que possui certificação para o serviço ecossistêmico de Conservação da Biodiversidade (ES1), obtida pela primeira vez em 2023. (Certificado).
A Klabin é comprometida com a gestão responsável da biodiversidade, contando com metas (Agenda Klabin 2030) focadas na preservação e conservação da flora e da fauna e com um processo de estruturação do Plano de Biodiversidade.
O Plano de Biodiversidade visa nortear as ações sob uma visão unificada, alinhada à estratégia de negócio, aos compromissos voluntários externos da Companhia e aos planos e políticas estratégicas nacionais e globais de biodiversidade. O Plano também consolida o compromisso de alcançar um impacto líquido positivo sobre a biodiversidade, ou seja, garantir que os impactos das atividades da Companhia sejam não apenas compensados, mas superados por medidas para evitá-los e minimizá-los, restaurar áreas afetadas, melhorar a qualidade da vegetação nativa e compensar os impactos residuais, de modo que nenhuma perda permaneça.
Historicamente, a Klabin conduz suas operações levando em conta os riscos e impactos da perda de biodiversidade, considerando as especificidades de cada ambiente de atuação. Um exemplo concreto é o plantio em mosaico, que mescla áreas de florestas plantadas de pínus e eucalipto com matas nativas conservadas - que representam quase metade do total de áreas florestadas -, criando corredores ecológicos e contribuindo para a manutenção dos habitats da flora e da fauna, além da conservação da qualidade do solo.
A partir de 2025, foram implementadas recomendações customizadas de fertilização em todo o programa de plantio de eucalipto, visando a otimização da produtividade e o uso sustentável dos recursos naturais por meio do plantio e manejo silvicultural de qualidade. As recomendações são feitas com base no conhecimento de solo e clima de cada ambiente. Nesse contexto, em 2025, foram realizadas atualizações constantes de mapeamentos de solos e instalações de estações meteorológicas buscando melhor cobertura e maior conhecimento das áreas de plantio. No total, a Klabin conta com 73 estações meteorológicas distribuídas pelas suas florestas em seus três estados de atuação – Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Reconhecendo que a qualidade do negócio está diretamente ligada à conservação da biodiversidade e aos serviços ecossistêmicos que ela gera, a Klabin adota uma política de desmatamento zero e conversão zero de florestas nativas em plantações, com florestas certificadas pelas normas FSC® e PEFC.
Na prática, mesmo com o Plano de Biodiversidade ainda em estruturação, a Companhia já executa um conjunto robusto de ações de mitigação e de geração de impactos positivos (Biodiversidade - Portal ASG). Entre as iniciativas de mitigação, destacam-se o programa de controle de espécies invasoras, o desenvolvimento de tecnologias para monitoramento da biodiversidade e o mapeamento de focos de atropelamentos nas áreas próximas às operações, com cerca de 2.000 km monitorados por ano. Para além da mitigação, a Klabin mantém o Parque Ecológico Klabin, dedicado à reabilitação de animais, à conservação ex situ e à criação de espécies ameaçadas, contando com uma equipe especializada em manejo e conservação. O Parque também promove programas de pesquisa e educação ambiental voltados a professores, crianças e demais públicos interessados.
A Companhia mantém em seu território mais de 25 mil hectares de Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVC) e quase 10 mil hectares de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) (Biodiversidade - Portal ASG). Uma dessas áreas, a Fazenda das Nascentes, localizada na RPPN Complexo Serra da Farofa, em Santa Catarina, detém as três certificações FSC® por Serviços Ecossistêmicos: Conservação de Biodiversidade (ES1), Sequestro e Armazenamento de Carbono (ES2) e Serviços em Bacias Hidrográficas (ES3). Com a aquisição da Arauco, a Klabin incorporou ainda a RPPN Vale do Corisco, certificada desde 2023 para o serviço ecossistêmico de Conservação de Biodiversidade (ES1).
Por fim, a Klabin mantém compromisso com o Sustainability- Linked Bond (SLB) diretamente atrelado à conservação da biodiversidade e ao reforço populacional de espécies ameaçadas de extinção (Finanças Sustentáveis - Portal ASG).
Centro de Interpretação da Natureza
Inaugurado em março de 2019, o Centro de Interpretação da Natureza (CINAT), localizado na RPPN Complexo Serra da Farofa (SC), reforça o compromisso da Klabin com a pesquisa científica e a conservação da biodiversidade. A estrutura, construída com premissas sustentáveis para minimizar impactos ao ecossistema local, tem capacidade para abrigar até 40 pesquisadores, oferecendo dormitórios com aquecimento, refeitório e áreas para estudo.
Ao completar seis anos em 2025, o CINAT reafirmou seu papel estratégico no apoio à ciência aplicada às áreas de conservação, silvicultura e manejo florestal. A RPPN abriga cerca de 1.000 espécies nativas em 5.000 hectares de Mata Atlântica e Campos de Altitude.
A Klabin conduz pesquisas para avaliação e controle de pragas e doenças, com foco em soluções biológicas. Desde 2020, desenvolve um produto de base biológica para o controle de formigas-cortadeiras.
A inovação florestal e a transferência de tecnologias no manejo florestal são prioridade. A Companhia avalia fatores bióticos e abióticos para definir a alocação de pinus e eucalipto, buscando ganhos de produtividade nos plantios, de acordo com as regiões de atuação com projetos de expansão florestal. Ainda conta com especialistas dedicados às áreas de melhoramento genético de eucalipto e pinus, biotecnologia e clonagem, nutrição e silvicultura, ecofisiologia, proteção florestal e qualidade da madeira. A Klabin também acompanha pesquisas com espécies transgênicas e novas rotas biotecnológicas, embora não as utilize, mantendo a conformidade com as certificações florestais.
Compromissos externos
A Klabin é signatária do CDP, Empresas pelo Clima, GHG Protocol, Diálogo Florestal e de diferentes acordos internacionais mantidos anualmente a partir das certificações de manejo florestal. O programa CDP Florestas reconheceu a empresa como líder (A), reforçando seu compromisso de zero desmatamento.
Os elementos de gestão integrada do solo, da água e da biodiversidade ajudam a acelerar a transição necessária para um futuro sustentável. Esse motivo somado ao fato do fator de emissão de gases de efeito estufa mais significativo no Brasil ser oriundo das mudanças no uso da terra causadas pelo desmatamento, em 2024 a Klabin publicou seu primeiro Plano de Transição para a Natureza.
Atualizado e verificado em: 17/08/2026